Acordou a meio da noite! Não foi
com um pesadelo nem nada, mas acordou. Queria voltar a dormir e aquela sensação
do "quero dormir depressa que estou cansada!" não lhe saia da cabeça.
Mas não, não ia ser tão rápido. E só pensava no despertador que iria tocar dali
a umas horas e aí é que iam ser elas. Ter de acordar, despachar-se, preparar o
pequeno almoço e não perder o autocarro. Não podia, pois tinha um dia
importante no trabalho. Talvez fosse promovida. Ela tinha sido convocada para
uma reunião com o chefe. Havia essa possibilidade, mas ela não podia pensar
nisso. E se não fosse isso? E se fosse mais um trabalho daqueles que os colegas
não queriam, porque dava muito trabalho e ela não poderia dizer que não!?
Enfim, tanto que lhe passava pela mente. E com isso não conseguia dormir.
E foi aí que uma ligeira
corrente de ar lhe passou pelo pescoço e ela sentiu um arrepio. De repente, foi
como que sentisse uma mão a agarrar-lhe o pescoço e a sua voz sussurrar no seu
ouvido: quero-te toda! Com isto, o seu corpo estremeceu. Ela lembrou-se do seu
corpo junto ao dele e de como tudo se encaixava na perfeição. Nunca tinha
sentido nada tão certo na vida. Tudo tinha sido perfeito e, todavia, ela ali
estava, sozinha, sentada no meio da cama a pensar e sem dormir. Como tinha raiva
neste momento, ela estava cansada e queria dormir, precisava. Mas como fazer
para esquecer todos os seus pensamentos e dormir? Não conseguia tirar da sua
mente as mãos dele a vaguear pelo seu corpo, o seu respirar pesado a passar-lhe
no pescoço, os seus beijos... como esquecer os seus beijos, não podia. E isso
entristecia-lhe a alma. De repente sentia frio, não sabia como fazer o seu
corpo aquecer. E, vamos convir, a meio da noite, sozinha, com a sua mente a
mil, como poderia ela aquecer o seu corpo quando o seu coração estava frio.
Quer dizer, não estava, ele transpirava de tanto sentir, mas, mesmo assim, ele
batia forte e ela sentia frio. Aquele frio de lhe gelar a alma e tudo o que ela
precisava era do seu abraço. Aquele abraço forte, sentido, capaz de lhe
arrancar do chão e a fazer levitar. Só assim ela ficaria bem. Recostou-se na almofada
a pensar no seu abraço. Aquele abraço forte, másculo e terno ao mesmo tempo,
onde carinhosamente ele a fazia esquecer de tudo e só sentir.
Com a sensação daquele abraço no seu pensamento e o carinho sentido nos seus braços, ela pensando nele, adormeceu.
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