Uma flecha só pode ser lançada se for puxada para trás.
Pois é, muitas vezes temos de aceitar que para ir para a frente temos de ir primeiro no sentido contrário.
Sem dúvida que é um desafio e um contrasenso. Como é que para seguir em frente, temos de ir primeiro para trás, cair, magoar-se, refilar muitas vezes com o tempo e com a vida? Se pensar bem até faz sentido. Lá bem no fundo cada vez que cair, vou lembrar-me da flecha, apesar dela só funcionar no sentido do movimento retilíneo uniforme, ela recua. Assim é a vida, um turbilhão de voltas de uma linha que segue em frente, para o lado, atrás dá mais uma volta e continua a seguir o seu caminho. Só pára quando chega a morte.
É por isso que cada vez que caíres e vais cair muito, levanta-te e lembra que para o tiro ser certeiro, a flecha primeiro é puxada para trás.
Hoje estava a ver o mar, perdida nos meus pensamentos e dei por mim a ver as ondas. Elas vão e vêm sem nunca parar. Dizem os entendidos que a ondulação das ondas, a subida e descida da maré depende da atração da Terra e da força da intensidade da atração do Sol e embora mais pequena da Lua pela Terra. Assim sou eu, devido à fluidez do meu ser, acabo indo atrás e me empurrando para a frente em direção a ti.
O mar inspira-me e dessa forma eu não me importo de cair pois sei que à sua semelhança eu vou voltar a me levantar e seguir a minha trajetória.
Tu inspiras-me!

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